
Office for Standards in Education
A visita foi boa e o relatório saiu essa semana – então cartão verde para comentar sobre ele. Em 1999 a Ofsted tentou fechar a escola sob comando do governo trabalhista de Tony Blair e, como disse no artigo acima, falhou depois da escola levar o caso à justiça.
A implantação de um currículo nacional no Reino Unido segue sendo criticada por professores e educadores britânicos.
Desde 1999 a escola – agora contando com especialistas próprios que acompanham os inspetores – teve inspeção em 2003, 2007 e a deste ano. As avaliações foram ficando mais positivas. Esta última mais do que todas.
A única discordância relativamente grande foi na avaliação e acompanhamento do aprendizado das crianças.
If We Can’t Measure, We Can’t Manage
“Se não conseguimos medir, não conseguimos gerenciar” – esse é uma fala constante em processos industriais e de negócios. Os inspetores chegaram aqui perguntando sobre nossas medidas para gerenciar o aprendizado das crianças.
O pedido faz sentido em sua forma bastante sutil: se tivermos dados de como os alunos vão progredindo, tanto fora quando dentro da sala de aula, vamos poder gerenciar a necessidade e caminho de aprendizado de cada um.
Acontece que essa estrutura de medir e gerenciar não funciona em Summerhill. Não funciona porque não gerenciamos aprendizado nenhum – o ideal da escola dá aos alunos a liberdade de viverem sem serem medidos, quanto mais gerenciados.
Seguir medindo o progresso é intervenção considerada desnecessária.
Vivemos em comunidade. Conhecemos as crianças por nossas interações com elas e com a comunidade como um todo. São as histórias desta convivência que nos dizem que elas estão progredindo nos possíveis bloqueios e problemas que elas venham a enfrentar.
Isso quer dizer que não existe nenhum documento, foto ou gravação em vídeo que sirva de evidência para um belo relatório. Evidência são histórias geradoras de sentido entre nós, os participantes desta comunidade.
Aqui não queremos gerenciar, então não medimos. Em lugar de medir para identificar e intervir, preferimos a relação de amizade e confiança que permite histórias autênticas serem expressas e compartilhadas.
Não creio que a forma de ver escolas com a qual os inspetores estão acostumados permita esse tipo de compreensão. Um dos especialistas da escola, tentando escrever na linguagem mais próxima a eles, disse: Summerhill é uma escola do tipo “familiar”, onde as coisas se resolvem colocando todo mundo na mesma mesa. Fair enough.
Veja o Relatório Publicado pela Ofsted (Em Inglês)


3 Comentários - Adicione o Seu
Comparto lo dicho y disfruté de la lectura. Me parece que el eje de la cuestión queda muy claramente expresado en este párrafo:
Vivemos em comunidade. Conhecemos as crianças por nossas interações com elas e com a comunidade como um todo. São as histórias desta convivência que nos dizem que elas estão progredindo nos possíveis bloqueios e problemas que elas venham a enfrentar.
De paso, comparto aquí también dos lecturas relacionadas que hace unas días, publicó en fcb Luiz de Campos Jr.
Equívocos ministeriais – José pacheco
http://www.diariodenatal.com.br/2011/10/28/opiniao.php
Competitividade na escola é criticada – Alexandre Gonçalves
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,competitividade-na-escola-e-criticada,737035,0.htm
Gracias,
Lía
Ola Lía,
Muito obrigado pelo comentario e pelos links – não conhecia o que foi publicado na revista Science – talvez tenhamos chegado ao ponto do obvio. :)
Vi que o que instigou a pesquisadora foi o filme “Corrida a Lugar Nenhum”. Espero poder ve-lo em breve – fiz um comentario critico ao trailer em http://augusto.blog.br/corrida-para-lugar-nenhum
De nada. O que em princípio instigou foi a nota de José Pacheco publicada por Luiz el logo, o outro link e, como si fora un final anunciado, o esse pondo do obvio, seu post. Todo em certa estranha sincronia, hehe.