Fui Apresentado ao Novo Padre
Me considero sortudo de poder ter trabalhado em comunidades que carregam em si um espírito de estar a serviço – elas são comunidades de cunho espiritual e as vezes religioso. Admiro o fato de que a existência dessas comunidades está embasada no estar a serviço de.
Algumas se tornaram burocráticas e dependentes de decisões hierárquicas, excesso de estruturas controladoras, etc, não muito diferente de outros tipos de organizações.
Semana passada me enviaram uma publicação informal feita por um padre católico da Austrália, Padre Brian Bainbridge, que faleceu recentemente. Ele era um dos experientes praticantes e divulgadores do Open Space [Espaço Aberto]¹ e ensinou e inspirou muita gente em seu país e no mundo.
Não tive a oportunidade de conhece-lo e também acompanho com dificuldade minha inscrição na lista online do Open Space, mas fiquei realmente interessado no que ele escreveu porque sua experiência misturava estar a serviço e aprendizagem coletiva. Isso foi o que eu aprendi com o novo padre na paróquia.
Estar a Serviço e Aprendizagem Coletiva
O início do documento escrito por Padre Brian já demonstra essa conexão:
A transformação que eu via tão necessária na vida da paróquia era o movimento do ‘controle’ para o ‘servir’.
Isso é realmente verdade para algumas organizações espirituais e religiosas as quais tive contato. No entanto tenho que admitir que não acho que controle seja o oposto de servir – imagino até que em algum momento da história controle tenha sido grande parte do estar a serviço. Mesmo se isso for verdade para uma época, não é verdade para hoje: vivemos em uma cultura onde processos são controlados em demasia e matam a criatividade, a inovação e não convidam as pessoas a participar de decisões relevantes a elas.
Estamos em uma era de complexidade na qual estar a serviço significa apoiar-se mais em aprendizagem e ações coletivas. Se trata cada vez mais de estar a serviço através de convidar as pessoas a servir.
Verdadeiros Agentes de Mudança fazem coisas ‘Chatas’ sem se Chatearem
Lendo o documento, Padre Brian fala sobre um grande número de mudanças estruturais e de processos que aconteceram com o tempo. Mudanças reais significam deixar algumas coisas morrerem, dar atenção aos detalhes, ser cuidadoso com a comunidade e as vezes escolher pelo devagar e chato paciente no lugar do rápido e divertido.
Para mim, que gosto de ver grandes mudanças acontecendo rápido, juro que tive que respirar fundo para ler a descrição completa da mudança do sistema de som da Igreja, algo que certamente foi uma grande contribuição para a comunidade, contribuição que eu não posso apreciar sentado lendo aqui no meu banquinho.
Mudanças que envolvem pessoas são analógicas e tem inércia – devem ter. Um verdadeiro agente de mudança pode ao mesmo tempo se importar profundamente pela mudança e desapegar dela acreditando que com espaço as coisas vão se cristalizando. Ambas as coisas estão presentes na história do Padre: o que requer mudanças radicais – ex. quando foi decidido que os conselheiros financeiros seriam escolhidos somente entre os jovens – ou o que requer esperar até que o coletivo esteja pronto para agir – ex. o caso do gerenciamento da escola pertencente à Igreja e seu diretor.
Mas “deixar acontecer” não quer dizer que não há estrutura e processo e que seja somente uma licença para tudo.
Pages: 1 2


5 Comentários
Realmente a pessoa se dispor a nunca estar ocupada, é quase um sacerdócio. Por isso gente com esse pensamento é importante para guiar os outros a pensar, ou pelo menos cogitar esse tipo de idéia, já que no dia a dia a gente fica meio “atarefado” ou, como diria meu pai, cheio de “atividades” e acabamos passando por cima de pessoas e detalhes interessantes para “acabar logo” e fazer aquilo que nos faz bem, ou diverte. Talvez fosse interessante tentar fazer com que atividades que nos parecem chatas se tornassem menos chatas através das percepções de outras pessoas…
jóia, adorei a versão 2.0 ;-)
uma excelente dica para prática, vamos lá!
obrigada, beijos
Heloisaq
Parabens, fico muito feliz com o seu sucesso. O artigo esta otimo.
A leitura deste texto nos tras um enriquecimento impar.
Saude, sucesso e PAZ
Jose Carlos Cuginotti
Que bom que vc sempre compartilha suas reflexões. Caiu p/ mim mais uma fichinha sobre a arte de anfitriar: requer conhecimento de métodos, mas sobretudo SABEDORIA para perceber que o método é suporte e estar a serviço sem estar ocupado (=estar inteiro na relação c/ o outro, não?). Agora o “fazer as coisas chatas sem se chatearem” é estar no caminho da iluminação, hein! apesar de que “chato” depende do julgamento de cada um, né?…abs!
Oi Emi,
Bom ouvir seus comentários. Fiquei pensando: os líderes se ocupam com conteúdo para que saia coisa boa, os facilitadores para que se chegue lá bem – mas no momento que precisamos de um espaço relacional, falta gente desocupada no pedaço.