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Por Quê #Occupy? – Além da Democracia Política e do Anti-Capitalismo

by on 14/11/2011

#Occupy Poster

Estou bem isolado dos centros urbanos. Tudo o que eu tenho ouvido sobre #Occupy tem sido de amigos e da mídia. Tenho perguntado sobre o local, as conversas e o sentimento de estar lá, tudo para poder entender um pouco mais.

Apenas com essas impressões, imaginei um #Occupy que talvez não seja o que é, mas um que com certeza pode ser. Imaginei as pessoas ocupando espaços públicos para gerar conversas e emitir opiniões sobre temas que são do interesse público, mas que muitas vezes se escondem em salas de reunião privadas.

Imaginei uma forma participativa e crítica de entendermos como funciona nossa sociedade. O que talvez seja para muitos um espaço de protesto, vejo também como um espaço de entendimento. Entendimento porque as conversas não necessariamente tem que trazer uma alternativa pronta ou criá-la em alguns meses, mas são conversas que exploram o novo e não só criticam o velho.

Mesmo tendo causa aparentemente difusa, #Occupy é bem diferente de rebeldes sem causa – os sintomas geradores do movimento estão claros (assim como está não pode ficar!) e a causa e as alternativas estão sendo discutidas (o que podemos fazer de diferente?).

O grande poder está nas pessoas terem um espaço para se perguntar se essa democracia é realidade ou ilusão.

Pensei comigo – nunca antes na história deste planeta (ops!) tivemos espaços públicos sincronizados para conversar sobre o funcionamento da nossa sociedade e seu modus operandi. Nunca tivemos espaços onde os participantes de uma democracia política sentem que pode ser que haja algo mais a participar, algo mais a entender e algo mais a intervir diretamente.

E estes espaços não são uma afronta direta à democracia, mas com certeza são uma afronta à “ilusão democrática”, a idéia de que participação se restringe à esfera política, traduzida na linguagem atual na forma de “voto consciente” ou fazer parte de um partido ou causa política.

Acredito que o grande poder de #Occupy vai além da crítica ao capitalismo e das plataformas de “outros mundos possíveis” do Fórum Social Mundial. O grande poder está nas pessoas terem um espaço para se perguntar se essa democracia é realidade ou ilusão. Pessoas que estão lá ou acompanhando com interesse têm seus motivos mais diversos para estarem descontentes com o ir e vir da democracia política atual.

E o que acontece se nos desiludimos?

Impossível prever o que pode acontecer quando finalmente estivermos desiludidos com o que talvez o futuro chame de modelo restrito de participação. Para ir além, no entanto, não basta a desilusão de um grupo ou uma bandeira política, é essencial nos desiludirmos em conjunto.

#Occupy parece ser a preparação do coletivo para criar uma nova forma de participação, uma forma que tenha a nossa cara e ao mesmo tempo a de ninguém. Talvez seja a primeira forma de outras diversas que vão redefinir como nos organizamos em sociedade.

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4 Comentários - Adicione o Seu

Cuginotti 15 Nov

Caro Augusto, muito oportuno seu depoimento, mas infelizmente a vida não é tão simples assim. Temos, ou deveríamos ter, o direito de ir e vir, de se expressar livremente, mas isso não é fácil assim. Podemos falar e pensar desde que não incomode o poder. E devo lhe garantir que a força da juventude nos dá o direito de tomarmos decisões não diferentes das racionais, mas, a experiencia da idade nos mostra”que é muito melhor sermos covardes vivos que herois mortos”.
   Seja muito feliz nos seus intentos, mas seja muito mais racional que emocional.
   Saúde, sucesso e PAZ

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Augusto Cuginotti 15 Nov

Olá Joca,

Obrigado por seu comentário.

Acho que uma das coisas interessantes deste movimento é a conversa sobre esse tal “poder”. Se “ele” está incomodado, tem um bom milhão de outras pessoas que também está. E contando.

Se a vida não está simples, será que não está na hora de simplificá-la?

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Lía Goren 21 Nov

Olá Augusto
Gostei de seu post. Um olhar aberto e que invita ao conhecer mais, compartilhar a conversa e sumar. 
Gostei muito de todo o post pero acho importante isto:

“as conversas não necessariamente tem que trazer uma alternativa pronta o criá-la em alguns meses, mas são conversas que exploram o novo e não só criticam o velho.”

Obrigada!

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Augusto Cuginotti 21 Nov

Olá Lia,

Obrigado por seu comentário. Depois de ter escrito assisti a esse vídeo que achei muito bom. No começo o autor fala justamente disso: uma demanda específica só pode ser feita no contexto do entendimento atual – temos que explorar um novo contexto.

http://www.youtube.com/watch?v=BRtc-k6dhgs

Grande abraço!

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